
A Abra Group, holding que controla a GOL e a colombiana avianca, está perto de fechar um pedido de jatos E2 da Embraer, segundo pessoas a par do assunto. A negociação envolve até 20 aeronaves e pode ser anunciada já na próxima semana, durante o Farnborough International Airshow, que acontece entre os dias 20 e 24 de julho, na Inglaterra.
A Embraer fabrica os jatos de corredor único da família E-Jets E2, com capacidade para até 146 passageiros.
Da frota única a uma frota diversificada
Desde que começou a voar, em 2001, a GOL operou por muitos anos apenas com o Boeing 737. A frota única sempre foi tratada como um trunfo, já que um único tipo de avião simplifica manutenção, peças e treinamento de tripulação.
Hoje a GOL tem cerca de 140 aeronaves. O 737 MAX 8 responde por mais da metade da frota, com 58 unidades do modelo até setembro de 2025, e o plano de recebimentos da companhia pode chegar a 167 jatos até 2029.
A abertura para outros fabricantes veio depois de a GOL concluir, no fim de 2024, sua recuperação judicial nos Estados Unidos. Já em fase de expansão, a companhia rompeu a lógica da frota única ao integrar aeronaves o Airbus A330, bem maiores que o 737, com o início dos voos para Nova York a partir do Rio de Janeiro.
A GOL segue a mesma lógica já adotada por Azul e LATAM: usar aeronaves menores em rotas de menor demanda ou em aeroportos que não recebem um 737 de cerca de 180 assentos. O E2 permite abrir novas frequências e destinos sem colocar aviões grandes para voar com capacidade reduzida. O jato da Embraer também consome menos combustível, o que ajuda a reduzir ainda mais os custos.
A renovação da frota também entra nessa conta. Os Boeing 737-700, mais antigos e com capacidade parecida à do E2, devem sair de cena para dar lugar aos jatos da Embraer, mais modernos e eficientes.
O lado da avianca
A colombiana é um caso diferente. Sua frota de corredor único gira em torno do Airbus A320, com cerca de 135 aviões desse porte, além de aeronaves de corredor duplo para voos intercontinentais.
A Abra vem reforçando essa base. Em outubro de 2025, anunciou um plano de frota com 138 A320neo (a avianca recebeu o primeiro em novembro), 96 Boeing 737 MAX, além de A350 e até sete A330neo. Nesse desenho, o E2 seria uma terceira família, voltada ao segmento regional.
Para a Abra, comprar em bloco e distribuir entre as aéreas do grupo dá escala de negociação e flexibilidade para alocar cada avião onde ele rende mais.
Para a GOL, a negociação aprofunda um movimento que já começou com a chegada dos A330: a troca de uma eficiência baseada em frota única por uma frota cada vez mais segmentada. É uma operação mais complexa de administrar, mas pode ser mais afiada em receita, com o avião certo em cada rota.
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