
Melhor cartão de crédito para jovens: qual escolher aos 18 anos?
Completar 18 anos abre uma série de possibilidades na vida financeira. Uma delas é finalmente poder solicitar um cartão de crédito como titular e começar a construir o seu próprio relacionamento com os bancos.
E aí aparece a dúvida: qual é o melhor cartão de crédito para quem acabou de fazer 18 anos?
Se você esperava que eu simplesmente indicasse um cartão e dissesse para pedir, sinto muito. A escolha depende da sua renda, dos seus gastos, se você estuda ou trabalha, do banco que já utiliza e até do que pretende conquistar nos próximos anos.
Mas existe uma estratégia que considero muito mais importante do que simplesmente procurar um cartão fácil de aprovar.
O seu primeiro cartão precisa ser o início de uma jornada. Você não vai ter uma carteira igual a minha aos 18 anos. Tudo são fases e você precisa dar um passo de cada vez.
Provavelmente ele não será o melhor cartão da sua vida. Pode começar com um limite baixo e poucos benefícios. Isso é absolutamente normal. A ideia é começar bem e evoluir.
Se você é ansioso e apressado pode parar de ler o texto aqui.
Qual é o melhor cartão de crédito para quem acabou de fazer 18 anos?
Se eu tivesse acabado de completar 18 anos hoje, não escolheria um cartão apenas pela aparência, pelo limite inicial ou porque algum influenciador disse que ele é maravilhoso.
Eu analisaria três coisas:
- Se o cartão cobra anuidade;
- Se oferece algum tipo de recompensa;
- Se o relacionamento com aquela instituição pode me ajudar a conseguir cartões melhores no futuro.
Entre as opções disponíveis atualmente, estas seriam algumas das que eu analisaria primeiro:
| Cartão | Anuidade | Recompensas | Para quem considero interessante |
|---|---|---|---|
| C6 Mastercard | Gratuita | Pontos Átomos | Quem quer começar acumulando pontos |
| Inter Gold | Gratuita | Inter Loop | Quem busca conta e cartão em um mesmo ecossistema |
| Nubank Mastercard Gold | Gratuita | Sem programa relevante de pontos no cartão convencional | Quem prioriza simplicidade |
| Ourocard Visa Fácil | Gratuita | Foco em cartão de entrada | Universitários sem renda comprovada |
Não significa que você será aprovado em todos eles. A aprovação e o limite dependem da análise de crédito de cada instituição.
Também não significa que você precisa abrir quatro contas. Pelo contrário. Eu evitaria sair abrindo contas e pedindo cartões sem nenhum planejamento.
C6 Mastercard: minha primeira tentativa para começar
Se a ideia é começar com um cartão sem anuidade e já aprender como funciona um programa de recompensas, eu analisaria o C6 Mastercard.
O cartão participa do programa C6 Átomos. No plano gratuito, as compras no crédito acumulam pontos e eles não expiram. É possível utilizar os pontos para cashback, produtos, pagamento de compras da fatura e outras possibilidades disponibilizadas pelo programa.
A pontuação do cartão de entrada é pequena? Sim, mas estamos falando do primeiro cartão de crédito.
O objetivo aqui não é concorrer com um Visa Infinite ou Mastercard Black. É começar a construir histórico e, de preferência, receber alguma coisa pelas compras realizadas.
Por isso, entre começar com um cartão que não oferece nenhuma recompensa e outro que entrega alguma pontuação sem cobrar anuidade, eu prefiro a segunda opção.
Também existe a possibilidade de evoluir dentro do próprio C6 para cartões superiores conforme o relacionamento com o banco.
Inter Gold: uma segunda opção interessante
O Inter Gold também pode ser uma opção interessante para jovens. Ele não cobra anuidade e participa do Inter Loop. Atualmente, o cartão Gold acumula 1 ponto a cada R$ 10 em compras no crédito, desde que sejam cumpridas as condições do programa, como manter o débito automático da fatura ativo. Os pontos podem ser usados em diferentes recompensas dentro do ecossistema do Inter.
A pontuação é baixa, mas estamos falando de um cartão de entrada.
O que acho interessante no Inter é existir uma possibilidade clara de evolução dentro do banco. Hoje existem categorias superiores, como Platinum, Prime e Win, com pontuações melhores e mais benefícios.
Você começa embaixo e pode evoluir conforme sua renda, gastos, investimentos e relacionamento aumentarem. É exatamente assim que eu acho que um jovem deveria enxergar o primeiro cartão.
Nubank: bom para começar, mas fraco em recompensas
É impossível falar de cartão para jovens sem falar do Nubank. O famoso roxinho foi o primeiro cartão de muita gente e continua tendo uma proposta extremamente simples: conta digital, aplicativo fácil de usar e cartão sem anuidade.
Para quem acabou de entrar no mercado de crédito, isso pode ser suficiente. O problema é que eu não escolheria o Nubank pensando em recompensas. Apenas em ter crédito.
O cartão convencional não é uma opção que considero interessante para quem quer transformar os gastos em pontos e milhas. O próprio review que temos no Cartões, Milhas e Viagens mostra que o Nubank Mastercard Gold é um cartão básico e sem grandes diferenciais nesse quesito.
Isso significa que o Nubank é ruim? Não necessariamente. Se ele for o banco que estiver disposto a te oferecer o primeiro limite de crédito, use essa oportunidade para começar a construir histórico. O erro seria achar que você precisa ficar com o mesmo cartão para sempre.
Ourocard Visa Fácil: uma ótima possibilidade para estudantes
Se você está entrando na faculdade, existe outra alternativa que merece atenção: o Ourocard Visa Fácil.
O Banco do Brasil informa atualmente que o cartão pode ser solicitado sem comprovação de renda e possui anuidade gratuita. O banco também divulga a possibilidade de limite de até R$ 1.500, sujeito às condições de concessão de crédito.
Aqui existe um detalhe que considero particularmente interessante. Você não está apenas conseguindo um cartão. Você pode começar um relacionamento com um dos maiores bancos tradicionais do país.
Para um jovem que pensa no longo prazo, isso pode ser mais interessante do que simplesmente abrir uma conta em uma fintech porque o aplicativo é bonito.
Banco digital ou banco tradicional: onde começar?
Durante anos, os bancos digitais foram praticamente sinônimo de facilidade para quem estava começando. Eles simplificaram a abertura de conta, eliminaram várias tarifas e obrigaram os grandes bancos a melhorar seus aplicativos.
Eu não escolheria hoje um banco apenas porque ele é digital. Eu pensaria no relacionamento que quero construir.
Se você recebe salário no Itaú, Santander, Banco do Brasil, Bradesco ou outro grande banco, por exemplo, não ignoraria essa instituição apenas para abrir uma nova conta digital.
Movimentar uma conta, receber salário, investir, contratar produtos que realmente façam sentido e manter um bom histórico pode ajudar na construção do relacionamento. Isso não significa contratar coisas inúteis para agradar o banco. Significa concentrar relacionamento onde existe possibilidade de evolução.
Se você já tem renda e movimentação financeira, converse com o gerente do banco que utiliza antes de sair pedindo cartões em cinco instituições diferentes.
Cartão sem anuidade ou cartão que acumula pontos?
Eu recebo muitas perguntas de pessoas procurando o melhor cartão sem anuidade. Entendo perfeitamente que ninguém gosta de pagar tarifas, mas existe um erro em transformar a anuidade na única característica analisada.
Um cartão gratuito que não devolve absolutamente nada pelas suas compras pode ser pior do que um cartão que cobra anuidade, mas entrega benefícios que superam com folga esse custo.
No primeiro cartão, eu evitaria assumir uma anuidade alta. Você provavelmente ainda tem gastos baixos e está construindo sua renda. Não faz sentido pagar centenas de reais por ano em um cartão apenas para dizer que acumula pontos.
Comece de forma simples. Conforme seus gastos crescerem, faça novamente as contas. Um cartão que não vale a pena com R$ 1 mil de gasto mensal pode fazer muito sentido com R$ 10 mil.
Cashback ou milhas: qual é melhor para quem está começando?
Essa é outra dúvida comum. O cashback é muito mais simples. Você gasta e recebe de volta uma porcentagem em dinheiro ou algum crédito equivalente. Não precisa entender tabela de emissão, transferência bonificada, disponibilidade de passagens ou regras dos programas de fidelidade.
As milhas exigem mais conhecimento, mas podem proporcionar um retorno maior quando utilizadas da forma correta. Para quem está começando, eu não ficaria obcecado por isso. Se o seu primeiro cartão oferecer cashback, ótimo. Se oferecer pontos, melhor ainda.
Se não oferecer nada, mas foi o único banco que aprovou você, comece com ele e construa seu histórico.
Qual cartão pedir aos 18 anos sem ter renda?
Essa é uma das principais dificuldades de quem acabou de atingir a maioridade. Você completou 18 anos, mas ainda estuda e não possui renda formal. Isso não impede necessariamente a aprovação de um cartão, mas pode limitar as opções e o valor disponibilizado.
O Ourocard Universitário é um exemplo interessante justamente porque o Banco do Brasil informa que não exige comprovação de renda para esse produto.
Outra possibilidade é começar com um limite pequeno. Não existe nenhum problema em receber R$ 200, R$ 300 ou R$ 500 de limite.
Eu sei que pode parecer pouco, mas esse limite inicial permite ao banco conhecer seu comportamento. Use o cartão, pague a fatura integralmente e construa seu histórico.
Existem também instituições que oferecem modalidades nas quais um valor reservado pelo cliente serve como garantia para a construção do limite. O Nubank, por exemplo, possui mecanismos desse tipo.
É muito melhor começar assim do que entrar em dívidas apenas para tentar demonstrar poder de compra.
Como conseguir aprovação no primeiro cartão de crédito?
Não existe fórmula que garanta aprovação. Os bancos utilizam políticas próprias e não divulgam todos os critérios de análise.
Mas algumas atitudes fazem sentido para quem está começando:
- Mantenha seus dados e sua renda atualizados;
- Movimente a conta que realmente pretende utilizar;
- Se você trabalha, considere receber o salário ou fazer portabilidade para o banco com o qual deseja construir relacionamento;
- Pague suas contas sempre em dia;
- Evite ficar solicitando cartões aleatoriamente em dezenas de instituições;
- Comece com um cartão compatível com o seu momento financeiro;
- Não veja um limite inicial baixo como uma ofensa;
- Construa histórico antes de buscar cartões de categorias superiores.
Outra dica importante: se você já tem relacionamento com um banco, veja primeiro se existe algum cartão pré-aprovado no aplicativo. Eu faria isso antes de começar a preencher propostas em vários bancos aleatoriamente.
Score alto garante aprovação?
Não. Esse é um dos maiores mitos envolvendo cartão de crédito. O score pode fazer parte da análise, mas não é o único fator. Cada instituição possui seus próprios critérios e informações internas. Uma pessoa pode ter score alto e ser recusada, enquanto outra pode ser aprovada pelo mesmo banco.
No site da Serasa é possível consultar gratuitamente o seu score e acompanhar informações relacionadas ao CPF. Mas não fique neurótico olhando o número todos os dias. O mais importante é construir uma vida financeira saudável.
Vale a pena ter cartão de crédito mesmo gastando pouco?
Sim. Eu escuto frequentemente jovens dizendo: “Mas eu quase não gasto.” Você não precisa gastar muito para começar a usar um cartão.
Pode colocar nele despesas que já existiriam de qualquer maneira, como streaming, transporte, alimentação e algumas compras do dia a dia.
Se mora com os pais e eles autorizarem que alguma despesa familiar seja paga no seu cartão, também é possível concentrar esses gastos. Porém, o dinheiro correspondente precisa estar separado para o pagamento da fatura.
Aqui existe uma regra que considero fundamental: o limite do cartão não é dinheiro.
Se o banco disponibilizou R$ 5 mil de limite e você possui R$ 500 na conta, você não ganhou R$ 5 mil. Parece óbvio, mas muita gente começa a vida adulta se endividando justamente por não entender isso.
Posso pagar compras dos meus amigos para acumular pontos?
Pode fazer sentido em algumas situações, mas eu teria muito cuidado. Imagine que você saiu para jantar com cinco amigos e a conta foi dividida. Todos transferem o dinheiro para você via Pix e você paga a conta inteira no cartão.
Você concentrou o gasto e pode receber as recompensas daquela compra. É excelente!
O que eu não faria é pagar a parte de todo mundo primeiro e começar a cobrar depois. Só passe no seu cartão valores de terceiros quando o dinheiro já estiver com você. Você não é banco. E nenhum ponto ou milha compensa ficar correndo atrás de amigo para conseguir pagar a fatura.
Como aumentar o limite do primeiro cartão?
O primeiro limite pode ser pequeno, mas tenha paciência. O banco ainda não conhece seu comportamento.
Não existe um botão mágico que transforme R$ 500 em R$ 10 mil de limite, mas você pode construir um relacionamento melhor ao longo do tempo.
Use o cartão normalmente, pague a fatura integralmente, mantenha sua renda atualizada e evite atrasos. Se sua renda aumentar, informe ao banco. Se começar a receber salário, o relacionamento também muda.
O cartão de crédito é um produto de risco para a instituição. Quanto mais informações positivas o banco tiver sobre sua capacidade financeira e seu comportamento, mais confortável ele pode ficar para ampliar a exposição.
Cuidado para não destruir sua vida financeira logo no primeiro cartão
Aqui está a parte mais importante desta matéria. Cartão de crédito é uma ferramenta maravilhosa quando bem utilizada. Para mim, ele é uma das principais ferramentas para acumular pontos e milhas, acessar benefícios e organizar gastos.
Mas pode se transformar em uma enorme dor de cabeça para quem começa errado.
Eu seguiria três regras:
1. Nunca considere o limite como parte da sua renda.
2. Sempre pague o valor total da fatura.
3. Nunca faça uma compra contando com um dinheiro que talvez você receba no futuro.
Parcelamento de fatura e crédito rotativo possuem juros elevados e podem transformar rapidamente uma dívida pequena em um problema muito maior. Se você não consegue pagar uma compra hoje, pense muito bem antes de colocá-la no cartão.
O que eu faria se tivesse 18 anos hoje?
Se estivesse começando novamente, eu faria algo muito simples. Escolheria uma instituição com possibilidade de evolução, tentaria conseguir um cartão sem anuidade e, se possível, que oferecesse alguma recompensa.
Minha primeira tentativa seria o C6. O Inter seria outra opção. Se o Nubank fosse o único a me oferecer crédito, começaria tranquilamente por ele. Se estivesse na universidade e sem renda comprovada, também analisaria o Ourocard Visa Fácil.
Depois disso, concentraria meus gastos nesse cartão e construiria histórico. Não teria pressa de chegar a um Mastercard Black ou Visa Infinite. Cartão de alta renda é consequência de uma evolução financeira e de relacionamento.
Você vai ter muitos cartões durante a vida. A sua carteira aos 18 anos provavelmente será completamente diferente da carteira aos 25, 30 ou 40 anos. E está tudo certo.
Perguntas frequentes sobre cartão de crédito para jovens
Qual é o melhor cartão de crédito para jovem de 18 anos?
Não existe uma única resposta. Entre as opções que eu analisaria estão C6 Mastercard, Inter Gold, Nubank Mastercard Gold e, para universitários, Ourocard Visa Fácil. A melhor escolha depende da renda, relacionamento bancário e objetivo de cada pessoa.
Qual cartão é mais fácil de aprovar aos 18 anos?
Nenhum banco garante aprovação. A análise varia conforme o CPF, histórico, renda, relacionamento e políticas internas de cada instituição. Quem ainda não tem histórico pode receber inicialmente limites mais baixos.
É possível ter cartão de crédito aos 18 anos sem renda?
Sim. Existem cartões que não exigem comprovação formal de renda, como o Ourocard Visa Fácil para estudantes. A aprovação continua sujeita à análise da instituição.
Qual limite de cartão um jovem de 18 anos consegue?
Não existe um limite padrão. O banco define o valor de acordo com a análise de crédito. Em quem ainda não possui histórico, é normal que o primeiro limite seja baixo.
Vale a pena ter cartão de crédito aos 18 anos?
Sim, desde que seja utilizado com responsabilidade. Além de facilitar pagamentos, o cartão permite começar a construir histórico de crédito e relacionamento bancário.
Cartão sem anuidade é melhor para jovens?
Pode ser uma excelente escolha no começo, principalmente para quem ainda possui gastos baixos. Entretanto, anuidade não deve ser o único critério. À medida que os gastos aumentam, cartões com benefícios melhores podem entregar um retorno superior ao custo.
Ter cartão de crédito aumenta o score?
Ter um cartão não significa automaticamente aumentar o score. O comportamento financeiro como um todo é analisado. Manter contas em dia e evitar problemas no CPF é muito mais importante do que simplesmente possuir vários cartões.
Conclusão
O melhor cartão de crédito para um jovem não precisa ser o cartão com mais benefícios do mercado. Na verdade, dificilmente será. O primeiro objetivo é entrar no mercado de crédito, aprender a utilizar o cartão corretamente e construir relacionamento.
Se puder começar sem anuidade e recebendo pontos ou cashback, melhor. Se não conseguir, comece com a opção que estiver disponível e faça a sua parte.
Use o cartão. Pague sempre a fatura integralmente. Atualize sua renda. Construa relacionamento. Com o tempo, novas ofertas começarão a aparecer.
O seu primeiro cartão não será o melhor cartão da sua vida. Ele só precisa ser o primeiro passo.
Grupo de Gerentes
Há mais de 17 anos atuo diretamente no mercado de cartões de crédito, construindo relacionamento com bancos, entendendo critérios internos e acompanhando, de perto, como as decisões realmente acontecem.
Ao longo desse caminho, conquistei alguns dos melhores cartões do Brasil, como The Centurion Card, Ícone e Unlimited, entre outros. Mas nada disso veio apenas de renda, investimento score de crédito ou sorte. Veio de entender algo que pouca gente percebe: muitas vezes, a aprovação de um bom cartão passa pela boa vontade do gerente.
- Tenho mais de 30 gerentes parceiros.
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