
O CAIXA Ícone Visa Infinite foi uma das grandes surpresas de 2025, ao ponto de conseguir rivalizar e, em alguns aspectos, superar o BRB DUX Visa Infinite, referência histórica no segmento de alta renda.
Ainda há ajustes importantes a serem feitos e, aproveitando janeiro como mês de planejamento e decisões estratégicas, escrevo esta matéria como uma contribuição objetiva, com sugestões claras para que a CAIXA consiga lapidar um produto que já nasceu forte e tem potencial real para se tornar um dos 3 cartões mais completos do mercado.
Trocar o LoungeKey pelo Priority Pass
O LoungeKey e o Priority Pass pertencem ao mesmo grupo, o Collinson Group, mas o Priority Pass é claramente mais premium, com algo entre 100 e 200 salas VIP a mais na rede global. Uma eventual troca não seria apenas cosmética, agregaria valor real ao cartão e alinharia o Ícone ao nível de exclusividade que ele se propõe a entregar.
Permitir mais convidados nas salas VIP
O Ícone oferece 10 convidados por ano via LoungeKey e mais 10 pelo Visa Airport Companion, o que, na prática, me incomoda, é muito pouco para um cartão desse nível e acaba me obrigando a manter outro cartão na carteira.
Nesse ponto, o DUX ganha fácil ao permitir 3 convidados por visita, uma regra simples, clara e muito mais alinhada ao perfil de quem realmente usa salas VIP com frequência.
Spread zero
Eu sou da época em que a CAIXA praticava spread zero em compras internacionais, algo que hoje parece quase impensável. Atualmente, o banco cobra cerca de 4%, exatamente a média do mercado. Agora, imagine o impacto e a satisfação dos clientes, se a CAIXA resolvesse resgatar o spread zero, um movimento simples, mas com poder real de diferenciação.
Bônus de boas-vindas
O mercado brasileiro já é fraco em bônus de boas-vindas e a CAIXA simplesmente não oferece nenhum no Ícone, enquanto o BRB DUX, seu concorrente direto, oferece, e isso pode pesar na decisão. Um bônus simples, algo como 10 mil pontos no Uau CAIXA, já seria suficiente para criar percepção de valor, incentivar a adesão e diferenciar o cartão do restante do mercado.
Manter os 5 pontos por dólar
No primeiro ano, o Ícone entrega 5 pontos por dólar, mas o próprio regulamento prevê que, a partir do segundo ano, a pontuação caia para 4 pontos por dólar. O problema é que cerca de 10 cartões do mercado já oferecem essa mesma pontuação, o que tira o Ícone do topo automaticamente.
Para se manter realmente diferenciado, a lógica é simples, os 5 pontos por dólar deveriam ser permanentes, não apenas um benefício temporário.
Mais parceiros para o Uau CAIXA
Os parceiros do Ícone hoje são basicamente os mesmos convencionais do mercado, com o TAP Miles&Go como exceção, e ainda assim após um downgrade na paridade. Falta ambição aqui.
A entrada de novos parceiros internacionais seria muito bem-vinda e elevaria o cartão de patamar, e um exemplo óbvio é o ALL – Accor Live Limitless, que agregaria valor real para quem viaja pelo Brasil e mundo.
Conclusão
Marcio Recalde e Lessandro Werner Thomaz, o “pai do Ícone”, estão de parabéns. O cartão realmente mexeu com o mercado, elevou o nível da conversa e forçou concorrentes a se mexerem, mas o Gabriel Dias é exigente e sempre quer mais.
Quando o produto nasce forte, o próximo passo é pensar grande, e tenho convicção de que planos ainda mais ambiciosos estão no radar deles em 2026.


