
Avios é a moeda de fidelidade compartilhada por sete companhias aéreas: British Airways Club, Iberia Club, Aer Lingus AerClub, Vueling Club, Loganair Loyalty, Qatar Airways Privilege Club e Finnair Plus. Você acumula em um programa e pode mover o saldo para outro, dependendo de onde encontra a melhor tarifa em milhas ou a rota que precisa.
Como funciona o acúmulo e o uso dos Avios
Cada uma das sete companhias define sua própria forma de conceder Avios: voando, gastando em cartões de crédito parceiros, hospedando-se em redes de hotéis ligadas ao programa ou comprando com marcas parceiras. O saldo entra na conta da companhia em que você é cadastrado, independentemente de qual você usar para resgatar a passagem depois.
Isso significa que você pode acumular Avios em um programa (por exemplo, voando com a Iberia Club) e usar em outro (como a British Airways Club), desde que faça a transferência antes da emissão. Cada companhia também tem sua própria tabela de resgate, com valores e taxas diferentes para a mesma rota.
Para quem está no Brasil, considero a Esfera uma das melhores portas de entrada para os Avios. A paridade padrão para a Iberia Club é de 2 pontos Esfera para 1 Avios, bem mais vantajosa do que a maioria dos programas nacionais, que costumam ficar em 3,5:1. Fora isso, é comum encontrar campanhas de bônus ao longo do ano nessa transferência.
Como funciona a transferência de Avios
A movimentação entre os programas acontece na proporção de 1:1, sem custo e sem exigência de saldo mínimo. A transferência é instantânea e pode ser revertida depois, o que dá mais flexibilidade para você organizar a emissão das suas passagens aéreas. Os Avios valem o mesmo em qualquer um dos sete programas.
A maior parte das transferências é feita pelo avios.com, onde você vincula as contas e movimenta o saldo entre os programas. O Qatar Airways Privilege Club e o Finnair Plus são exceções: a vinculação com esses dois acontece direto pelo site de cada companhia, sempre em conjunto com a conta da British Airways Club.
Quais transferências são diretas?
Aqui está o ponto que mais gera confusão, e prefiro deixar bem claro:
- British Airways Club, Iberia Club, Aer Lingus AerClub, Loganair Loyalty e Vueling Club se conectam diretamente entre si. Você move o saldo de qualquer um desses cinco para outro sem precisar passar por um terceiro programa.
- Qatar Airways Privilege Club e Finnair Plus só se conectam com a British Airways Club. Isso quer dizer que, se você precisa levar Avios do Qatar para a Iberia (ou o caminho inverso), o saldo passa obrigatoriamente pela British Airways no meio do processo.
Vejo muita gente comentando que “só o Qatar precisa passar pela British“. Não é bem assim: o Finnair Plus tem a mesma limitação. Nenhum dos dois se conecta diretamente ao outro, nem aos demais programas fora a British Airways.
O que mudou nas transferências entre os programas
A vinculação entre British Airways Club, Iberia Club e Vueling Club passou a ser permanente a partir de setembro de 2025. Antes disso, apenas a ligação com o Qatar Airways Privilege Club, o Finnair Plus e a Loganair Loyalty ficava salva de forma definitiva. Isso reduz o número de vezes que você precisa revincular as contas para fazer uma nova movimentação.
A regra de tempo de conta também mudou, mas não do jeito que muita gente ainda repete por aí. A antiga exigência de 90 dias na Iberia Club caiu em 2025. Porém, desde março de 2026, passou a valer uma regra nova: a conta precisa ter pelo menos 30 dias para poder enviar Avios para outro programa. Essa regra vale para British Airways Club, Iberia Club, Vueling Club e Aer Lingus AerClub. Já para receber Avios, não existe essa restrição: uma conta recém-criada pode receber saldo normalmente.
Por que vale a pena ter conta nos sete programas
Mesmo sem pretender voar logo com nenhuma dessas companhias, considero interessante manter uma conta aberta em cada um dos sete programas. Isso evita perda de tempo em uma emissão de última hora, quando você percebe que a tarifa em milhas está mais barata em um programa que você ainda nem tinha cadastro.
O motivo mais comum para movimentar Avios entre contas é o preço da passagem. A mesma rota pode custar menos milhas, ou menos taxas, dependendo de qual programa você usa para emitir. Isso acontece porque cada companhia define sua própria tabela de resgate, mesmo usando a mesma moeda.
Um exemplo mais próximo da nossa realidade é a rota São Paulo-Madri em classe executiva pela Iberia Club. Em baixa temporada, o trecho de ida sai a partir de 50.500 Avios, o que resulta em 101.000 Avios na ida e volta. Em alta temporada, o custo sobe para 74.000 Avios por trecho, totalizando 148.000 Avios ida e volta.
Para efeito de comparação, uma distância parecida, entre Londres e São Paulo, custa a partir de 110.000 Avios só de ida pela British Airways Club, bem mais que o dobro do trecho equivalente pela Iberia Club.
As taxas cobradas na tabela da Iberia Club também costumam ficar bem abaixo do que se paga na British Airways Club para uma rota equivalente.
Antes de qualquer transferência, procure a tarifa nos programas que fazem sentido para o seu trecho e compare o custo final, incluindo taxas de embarque. Só depois você decide para onde vale a pena levar o saldo.
Vale a pena transferir Avios entre programas?
Sim, vale a pena. Como você viu no exemplo entre a Iberia Club e a British Airways Club, uma distância parecida pode custar bem menos Avios dependendo de qual programa você usa para emitir a passagem. Poder mover o saldo entre os sete programas, sempre que aparecer uma condição melhor, é um dos melhores benefícios de acumular Avios.
Ainda assim, concentro o acúmulo em um único programa e utilizo a possibilidade de transferência quando ela fizer sentido. Pra isso, você deve acompanhar as tabelas de resgate para identificar quando compensará transferir seus Avios para outro programa.
Minha recomendação é que você tenha conta nos sete programas, pois a criação é gratuita, e usar a transferência sempre que encontrar uma tabela mais vantajosa para a rota que você precisa.
Grupo de Gerentes
Há mais de 17 anos atuo diretamente no mercado de cartões de crédito, construindo relacionamento com bancos, entendendo critérios internos e acompanhando, de perto, como as decisões realmente acontecem.
Ao longo desse caminho, conquistei alguns dos melhores cartões do Brasil, como The Centurion Card, Ícone e Unlimited, entre outros. Mas nada disso veio apenas de renda, investimento score de crédito ou sorte. Veio de entender algo que pouca gente percebe: muitas vezes, a aprovação de um bom cartão passa pela boa vontade do gerente.
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