
A situação na Azul é tão caótica que daria para criar uma série com tantas notícias ruins, fora as que acontecem todos os dias e não ficamos sabendo. Apesar dos pesares, é uma companhia que ainda preciso utilizar bastante devido ao custo para os meus trechos específicos ainda ser muito bom.
No início de dezembro, aconteceu algo atípico no Brasil. Fortes ventanias atingiram algumas regiões, motivadas por um ciclone extratropical formado no Sul do país, provocando o fechamento temporário de pistas em diversos aeroportos. Eu senti o forte reflexo do acontecido em um trecho entre São Paulo e Brasília, ficando mais de 24 horas sem conseguir embarcar, e até aí tudo bem.
Entendo contratempos causados pelas forças da natureza, mas o desespreparo das companhias aéreas nessa situação formam uma atmosfera ainda mais assustadora em torno da situação. Inicialmente, eu e os demais passageiros ficamos quase 5 horas na fila para entender quais seriam os próximos passos e tentar uma acomodação para passar a noite, já que todos os voos tinham sido cancelados, bem como buscar uma nova possibilidade para embarcar posteriormente.
Na fila, a Azul serviu snacks, sucos e ofereceu um voucher para todos jantarem. Após horas de espera, fui atendida e consegui ser realocada para um novo voo no dia seguinte. Logo, precisei passar a noite na cidade em que eu estava. Geralmente, nessas situações, a companhia possui parcerias com redes hoteleiras específicas para acomodar seus passageiros, mas estava tudo absurdamente lotado e então pediram para cada um reservar por conta própria e solicitar reembolso posteriormente pela Central de Atendimento.
Consegui uma hospedagem e no dia seguinte embarquei normalmente, chegando até meu destino. A grande questão começa a desenrolar negativamente no pedido de reembolso. Como a Azul havia informado que o aviso para reaver os valores pagos com transporte e hospedagem já estavam descritos em observação atrelada aos localizadores, entendi que o processo seria muito fácil.
Após o caos aéreo gerado por uma causa natural e totalmente compreensível, os canais de atendimento ao cliente das companhias estavam todos congestionados. Logo, abri uma reclamação via consumidor.gov.br para reaver o que paguei em hospedagem e deslocamento de saída e retorno ao aeroporto.
Inicialmente, na primeira devolutiva, me ofereceram um voucher para utilizar na própria companhia aérea, mas sabendo da dificuldade para fazer uma reserva com o mesmo, neguei veementemente a proposta e segui com o pedido de reembolso em conta bancária.
As devolutivas são todas de descaso: já enviei 3 vezes todas as documentações solicitadas pela companhia, que demora muitos dias para me responder e quando retornam o contato pedem novamente os mesmos documentos. Entendo que fazem isso para ganhar tempo, e com isso seguem prejudicando seus clientes.
Não sou a favor de judicializar qualquer acontecimento nos processos de viagem, porém numa situação como essa é impossível não considerar a resolução do problema por essa via. Algo simples e que já poderia ser resolvido rapidamente está se tornando uma dor de cabeça sem tamanho. Muito cuidado ao voar Azul, pois o barato pode sair muito caro – e nem tô falando de dinheiro especificamente. O tempo perdido e o estresse são consideráveis.

