

Fila para entrar. Fila para comer. Fila para pedir um drink. Fila para ir ao banheiro. Comida de baixa qualidade. Vinhos ruins. Limpeza que deixa a desejar. Isso tudo são situações rotineiras que passo semanalmente ao usar as salas VIP.
A medida que o número de passageiros aumentou, a qualidade de muitos lounges caiu. O VIP existe apenas no nome.
Acredite: há salas no Brasil onde o tempo de espera para entrar pode chegar a 1 hora.
Qual será o futuro das salas VIP?
Quando todo mundo é VIP ninguém é VIP
Essa é a pura verdade. Com cartões Black e Infinite emitidos aos milhões, o VIP deixou de existir. Em uma mesma sala VIP tem o viajante que ganha R$ 2 mil por mês e o que ganha R$ 500 mil por mês.
Isso sem falar na farra dos cartões adicionais, inclusive com revenda de benefícios no mercado paralelo. Por isso, muitos bancos colocaram regras para elegibilidade das salas VIP, como gasto mínimo.
Inclusive, muitos deixaram de usar as salas VIP pela baixa qualidade. VIP passou a ser sentar em um restaurante, comer bem e pagar pela refeição. Ficar 20 minutos na fila do bufê de uma sala VIP para comer coxinha e macarrão sem gosto não faz o menor sentido.
No Aeroporto Internacional do Galeão (GIG), onde embarco toda semana, evito usar o Lounge GOL Smiles e Plaza Premium Lounge devido às filas, superlotação e opções ruins de alimentos e bebidas. Na sala da GOL não oferecem sequer vinhos, algo que é comum na maioria das salas.
Prefiro comer no restaurante, onde não preciso disputar espaço, tem serviço na mesa e a alimentação é muito superior. Isso é ser VIP.
Salas SUPER VIP
Atualmente, temos apenas três salas que são realmente SUPER VIP e todas estão localizadas no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU).
São elas:
As bandeiras de cartão de crédito sabem da importância e exigência desses clientes de altíssima renda. A sala VIP em todas as nossas pesquisas está entre os três beneficios mais importantes para os clientes.
O Terminal BTG Pactual também é sucesso absoluto pela sua proposta ultra exclusiva. Check-in, segurança, imigração, restaurante à la carte e champanhe francês são alguns dos destaques. Os US$590 para acesso não assusta os clientes que exigem o melhor em todas as etapas da viagem e, em determinados períodos há fila de espera para confirmação da reserva.
Vale investir em experiências pagas?
Basicamente, são três as formas gratuitas de acesso às salas VIP:
- Cartão de crédito;
- Viagem em Primeira Classe ou Classe Executiva;
- Categoria elite no programa de fidelidade.
Ou seja: os viajantes estão acostumados a terem acesso gratuito. Será que estão dispostos a pagar para ter acesso a lounges exclusivos?
O W Premium Lounge está testando esse formato no Aeroporto Internacional de Curitiba (CWB), com uma área que é acessível apenas mediante pagamento adicional, e é mais reservada e com menu à la carte.
O espaço funciona para voos nacionais e não vejo procura pelo serviço. Acho que em voos internacionais a procura seria maior.
O Advantage VIP Lounge tem o espaço Plus+, que não tem custo adicional, e apenas os melhores cartões dão acesso. Frequentemente estão cheios, o que faz a percepção de valor ser baixa.
O Bradesco, mesmo com a abertura do novo Bradesco Lounge no Aeroporto de Congonhas (CGH), manteve o antigo aberto (sem qualquer reforma ou melhoria). Ali poderia ser um espaço para clientes do Bradesco Principal, com um espaço mais reservado lá dentro para clientes American Express – The Centurion Card.
O Fast Pass do Bradesco em Congonhas é um serviço excelente e faria sentido ter uma sala SUPER VIP para os seus melhores clientes.
Você pagaria?
Até agora nenhum operador de salas VIP teve coragem de lançar um produto exclusivo, mediante pagamento. O acesso pago às salas VIP custa entre R$ 200,00 e R$ 300,00, caso seu cartão de crédito não ofereça acesso. É caro para uma experiência ruim.
Para oferecer um serviço realmente VIP, com restaurante à la carte, carta de vinhos de boa qualidade, bar preparando drinques na hora, espaço de relaxamento, espaço de trabalho, kids club e privacidade (leia-se não colocar assentos grudados uns aos outros) o custo mínimo seria de US$100.
Você pagaria US$100 por pessoa para ter uma sala SUPER VIP antes do seu voo internacional?
Acho que para voos nacionais todos concordamos que não faz tanto sentido um custo alto. Faz sentido as companhias aéreas oferecerem um serviço exclusivo para os melhores clientes. A GOL, por exemplo, vai abrir uma sala VIP no RIOgaleão para clientes Magno.
Um serviço como esse me faz até pagar um pouco mais caro pela passagem aérea pensando no conforto que terei no aeroporto.
Conclusão
Já foi o tempo que era prazeroso usar uma sala VIP. Quem sair na frente com um produto diferenciado e mais exclusivo vai se destacar. Junto com a sala VIP outro produto que tem demanda é o Fast Pass, também chamado de Fast Track, para economizar tempo em filas de segurança.
Os bancos, bandeiras e operadores precisam entender que VIP é um termo muito genérico. Precisam dividir em níveis, assim como temos as segmentações bancárias mediante renda e/ou investimentos.
Inovar é preciso! Quem será o primeiro?
Grupo de Gerentes
Há mais de 17 anos atuo diretamente no mercado de cartões de crédito, construindo relacionamento com bancos, entendendo critérios internos e acompanhando, de perto, como as decisões realmente acontecem.
Ao longo desse caminho, conquistei alguns dos melhores cartões do Brasil, como The Centurion Card, Ícone e DUX, entre outros. Mas nada disso veio apenas de renda, investimento score ou sorte. Veio de entender algo que pouca gente percebe: muitas vezes, a aprovação de um bom cartão passa pela boa vontade do gerente.
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